figueira-da-índia

Como cultivar o figo-da-índia

A figueira-da-índia (Opuntia ficus-indica) é uma cactácea originária das regiões áridas do Norte do México ao Sudoeste dos Estados Unidos. É uma cultura emergente, existindo atualmente uma grande dispersão em mais de 30 países. Esta é considerada uma cultura multifacetada, por apresentar interesse agronômico para a produção de frutos, e vegetais (cladódios), especialmente para forragem.

A figueira-da-índia tem crescido a nível comercial, sobretudo enquanto cultura frutícola, encontrando-se mais de 100.000 hectares distribuídos pelo México, Chile, Itália, África do Sul, Norte de África e Estados Unidos da América.

Esta cultura cactácea tem um elevado potencial de exploração em zonas áridas e semiáridas, por ser resistente à seca e com uma elevada eficiência de uso de água, devido ao seu metabolismo.

É uma cultura perene com ciclo anual, podendo, em algumas regiões com condições favoráveis, ocorrer naturalmente uma segunda floração e consequente frutificação.

Consumo e benefícios.

O figo-da-índia tem uma polpa suculenta podendo ser naturalmente consumido ou ser também utilizado como ingrediente principal de receitas, podendo ser utilizado para fazer doces, compotas, geleias e até mesmo sucos.

Com produtividades anuais entre 15 a 25 toneladas de fruta por hectare. O figo da Índia tem se destacado por conta dos benefícios à saúde a exemplo do controle dos níveis de açúcar e colesterol no sangue; rico em vitaminas C, E e vitaminas do complexo B; rico em fibras alimentares; rico em minerais como potássio, cálcio, zinco, ferro, magnésio, fósforo e cobre; composto por flavonoides, betalaínas e polifenóis, sendo os polifenóis antioxidantes que protegem as células do corpo contra os danos causados por radicais livres; ação anti-inflamatória; fortalecimento do sistema imunológico e redução da pressão arterial.

Solos e clima.

Para cultivar figo-da-Índia, é ideal escolher um local com bastante incidência de sol e solo drenado, uma vez que a espécie típica de regiões semiáridas não gosta de solo encharcado.

Os melhores solos para o cultivo de figueira-da-índia devem ser leves e soltos, apresentar um baixo teor de argila, textura arenosa com boa capacidade de drenagem, ausência de lençol freático elevado e um baixo teor de salinidade. O pH entre 6,5 e 8,5 e salinidade inferior a 50 a 70 mol/m3.

É uma planta bem adaptada para clima quente e seco. A precipitação necessária ideal para o seu cultivo é entre 150 e 1.800 milímetros de chuva por ano..

Temperaturas inferiores a 4°C são prejudiciais à cultura e durante a brotação não devem ocorrer geadas.

Preparo do solo.

A preparação da área a ser plantada deve iniciar-se com a sua limpeza, no sentido de eliminar arbustos, ervas daninhas, restos de culturas anteriores e infestantes. É recomendado a realização de análise do solo, de modo a definir-se um esquema de correções e fertilizações, com vista a disponibilizar à cultura as melhores condições de desenvolvimento.

A área deve ser arada e gradeada para o estabelecimento do plantio. O solo deve ser preparado a uma profundidade de 25 a 30 cm, a fim de remover a primeira camada de solo e eliminar pragas e nematóides que possam atacar a cultura. Em seguida deve-se fazer uma nova passagem de grade para nivelar o solo e deixar o solo superficial pronto.

Plantio.

O espaçamento é de 2 a 3 m na linha, sendo que na entrelinha deverá ter-se em conta que uma planta de figueira-da-índia, quando adulta, irá crescer facilmente 1,5 m para cada lado e também à distância necessária para que possam realizar as diferentes operações na plantação.

Neste sistema de plantio é recomendável a utilização de 1 cladódios por cova, colocados a cerca de 1,0 m de distância, totalizando 3.300 plantas por há, no espaçamento de 3m entre linhas.

As linhas de plantação devem estar de preferência, orientadas de Norte para Sul, devendo os cladódios ser plantados com as faces das plantas orientadas para a entrelinha. Esta orientação permitirá que a exposição solar do cladódio durante o dia seja máxima.

O método mais utilizado de propagação da figueira-da-índia é através de estacas de cladódios que podem ser retiradas de cladódios com 1 ou 2 anos, contudo os cladódios com um ano têm uma maior capacidade de enraizar produzindo raízes mais longas.

A escolha deve incidir em cladódios singulares, maduros, com aparência uniforme e sem defeitos visíveis de danos causados por doenças ou insetos.

Após remoção, os cladódios devem ser colocados num ambiente semi-sombrio durante 15 a 30 dias, de modo a que ocorra a cicatrização do corte, a promover o enraizamento e a evitar o aparecimento de putrefações. O tempo de cicatrização do corte pode ser bastante inferior em temperaturas mais quentes, nestes caso 5 dias normalmente são suficientes.

As covas no solo para o plantio deverão ser abertas, com aproximadamente 30 cm de largura e profundidade. Essa cova deve receber adubo orgânico, húmus de minhoca ou outra substância que auxilie no enriquecimento do solo, para um crescimento mais saudável da planta.

A época do plantio deve ser realizada, aproximadamente, 30 dias antes do período chuvoso. Essa prática poderá ser feita tanto em covas como em sulcos, de acordo com o sistema de cultivo escolhido.

O tipo de plantação mais eficaz é a colocação dos cladódios na vertical enterrando 50% de modo a que a superfície fotossintética seja suficiente para que o cladódio se desenvolva e que não caia facilmente.

Rega.

A figueira-da-índia é uma cultura muito resistente à seca, contudo para que exista um desenvolvimento ótimo do fruto é necessário que a quantidade de água durante o período de desenvolvimento do fruto, proveniente de chuva ou rega, seja entre 300 a 600 mm. Assim sendo, é aconselhável que em regiões com verões secos, a cultura seja regada duas a três vezes, com cerca de 30 a 50 mm de água, ou diariamente com 1 a 2 mm de água. Estas quantidades de água são necessárias para garantir grandes produtividades, obtendo frutos mais pesados e volumosos.

Embora resista bem à falta de água, é necessário estabelecer a cultura do figo-da-índia próximo a uma fonte de água para o manejo adequado da plantação, aplicando uma lâmina de irrigação de 100 mm quando houver secas prolongadas

Adubação.

O equilíbrio dos elementos nutricionais influencia, a produtividade e a qualidade dos frutos da figueira-da-índia. Dentre os vários elementos nutricionais o nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio são os principais fatores limitantes da produção em solos com deficiências nutricionais. O nitrogênio é o nutriente mais limitante desta cultura estando principalmente presente nos cladódios mais novos e férteis.

As aplicações de nutrientes sob a forma orgânica são preferíveis às formulações químicas, por estas serem mais solúveis e perderem-se com maior facilidade por lixiviação, quer pelas chuvas como pela água de rega.

Para uma fertilização mais equilibrada deve-se optar pela aplicação de estrume, de preferência incorporado numa faixa próxima das plantas. Os estrumes com níveis elevados de potássio são favoráveis à cultura, contudo a aplicação contínua deste tipo de estrumes diminui o pH do solo, efeito que pode ser controlado com a aplicação de cálcio.

Poda.

A poda da figueira-da-índia tem como principais objetivos aumentar a área de exposição solar, facilitar operações culturais e controlar o tamanho da planta.

Consoante a idade da plantação ou a época produtiva, podemos ter diferentes técnicas de poda: poda de formação, de frutificação, de manutenção e de rejuvenescimento.

A poda de formação realiza-se durante o primeiro ano após a plantação e tem como objetivo direcionar o crescimento vegetativo, de modo a que a figueira-da-índia cresça da forma desejada, através da eliminação dos cladódios que se desenvolveram virados para baixo, horizontalmente ou na base da planta.

A poda de frutificação, tem como objetivo diminuir a carga frutífera dos cladódios para que os frutos produzidos obtenham o peso, tamanho e qualidade impostos pelo mercado. Nos primeiros dois anos da exploração, deve ser favorecido o crescimento vegetativo das plantas. Nos restantes anos da cultura, através desta poda devem manter-se entre 6 a 8 frutos por cladódio.

A poda de manutenção tem como objetivo principal  permitir a penetração de luz no interior da copa, expondo o máximo número de cladódios à luz solar, facilitar operações culturais, como a poda de frutificação, a colheita, e otimizar a qualidade dos frutos.

É nesta poda que são eliminados anualmente os cladódios virados para o interior da copa, para baixo ou os que cresceram junto ao solo, permitindo, apenas, o crescimento de dois cladódios filho por cladódio mãe.

Os cladódios obtidos nas diversas podas servirão como suplementação alimentar para bovinos, ovinos e caprinos.

Pragas e Doenças.

As principais pragas que afetam a cultura do figo-da-índia são:

Tripes (Neohydatothrips opuntiae); percevejos (Chelinidea tabulata); cochonilha (Dactylopius coccus, Dactylopius ceylonicus, Dactylopius opuntiae); escamas blindadas (Diapsis echinocacti); polias (Cactoblastis cactorum, Laniifera Cyclades); escaravelhos (Archlagocheirus funestus) (Metamasius spinolae),(Cylindrocopturus biradiatus); moscas (Ceratitis capitata); formigas (Hymenoptera formicidaeTenuipalpus pu).

As principais doenças que afetam a cultura do figo-da-índia são:

mancha bacteriana (Erwinia carotovora sp. Carotovora); esfoladura da coroa da palma forrageira (Agrobacterium tumefaciens); podridão moderada (Candida boidimi); podridão dos caules (Armillaria mellea); gomose (Botryosphaeria ribis); podridão do colo (Phytophthora cactorum), (Phytophthora nicotianae); mancha dourada (Alternaria sp.); murcha (Fusarium oxiporum f. sp. Opuntarium); escamas ferruginosas (Phyllosticta opuntiae), (Phyllosticta côncava); podridão algodoeira (Sclerotinia sclerotorium); mofo cinza (Botryotinia fuckeliana).

Para cada uma destas pragas e doenças tanto o diagnóstico como os tratamentos deverão ser elaborados por técnicos especializados na cultura, dado que consoante as características climáticas e edáficas das explorações, as recomendações de tratamento poderão variar.

Colheita.

A figueira-da-índia começa a entrar em frutificação a partir do segundo/terceiro ano, atingindo a plena produção por volta do oitavo ano. Uma planta adulta pode produzir até 200 frutos por ano. A sua floração tem tons de amarelo e laranja, e os frutos são em tonalidade de amarelo avermelhado, sendo suculentos, com alto teor de fibras e ricos em vitaminas. O crescimento dos frutos ocorre durante cerca de 70 a 150 dias consoante a variedade.

Um dos parâmetros que permite aferir do estado de maturação dos frutos para a colheita comercial é a mudança da cor da casca entre 80 e 90%. Se a colheita for realizada no estado de maturação completo dos frutos, estes estão mais suscetíveis a danos de manuseamento, o que irá reduzir drasticamente o tempo para ser comercializado.

Tempo de conservação. Nesta técnica, após a colheita, os frutos devem permanecer à temperatura ambiente, numa zona ventilada, durante um ou dois dias para que o tecido do cladódio retirado na colheita seque e caia durante a operação de seleção. Durante a colheita os operadores devem utilizar luvas grossas, óculos de proteção e roupa adequada. Após a colheita, independentemente da técnica, é realizada uma operação de eliminação dos espinhos, normalmente com recurso a escovadoras e uma seleção com base no calibre dos frutos principalmente aos que se destinam ao consumo em fresco.

Ver também: PALMA FORRAGEIRA: CHEGOU A HORA DE COLOCAR NO NOSSO CARDÁPIO.

 

Referências:

Manual Boas Práticas para Culturas Emergentes – A Cultura do Figo-da-Índia – Autor: Associação dos Jovens Agricultores de Portugal

Um comentário em “Como cultivar o figo-da-índia”

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