Os riscos causados pelo fenômeno variam dependendo da localização, cultura, sistema de produção e ciclo agrícola. A erosão é uma delas.
- No Centro-Oeste brasileiro, o foco principal é tomar medidas proativas para mitigar os efeitos das secas.
- Na região semiárida, as recomendações priorizam a conservação do solo, o uso eficiente da água e a criação de reservas de água.
- No Norte, a gestão da água orienta a tomada de decisões diante de precipitações irregulares e níveis dos rios.
- No Sudeste, as medidas priorizam a conservação e adaptação da água ao estresse hídrico e térmico.
- No Sul, o planejamento leva em conta as micro-bacias hidrográficas para reduzir os impactos do excesso de água.
Na Embrapa, equipes das cinco regiões do Brasil delinearam os riscos associados ao El Niño 2026/2027 e desenvolveram recomendações para atender a cada clima e cenário de produção. A orientação inclui o uso do Zoneamento de Risco Climático Agrícola (Zarc), a escolha de cultivares adaptados, plantio escalonado e medidas de manejo e conservação de água e solo.
Enquanto os agricultores do Sul do Brasil precisam se preparar para chuvas intensas e excesso de água, em grande parte do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste, espera-se que o fenômeno apresente o desafio oposto: escassez de água, chuvas irregulares e altas temperaturas. As diferenças não se limitam às fronteiras regionais: os riscos também variam dependendo da localização, cultura, sistema de produção e estágio do ciclo agrícola.
Os contrastes são evidentes por todo o mapa. No centro-oeste, os estados de Mato Grosso e Goiás estão com maior risco de seca, enquanto a parte sul de Mato Grosso do Sul provavelmente receberá mais chuva. No Nordeste, a preocupação é a redução do fornecimento de água; no Norte, a queda dos níveis dos rios pode afetar a navegação, o transporte e o abastecimento de água. O Sudeste inclui áreas mais secas e úmidas mesmo dentro do mesmo estado, enquanto no Sul, chuvas excessivas aumentam o risco de encharcamento, erosão e doenças das culturas.
O trabalho em equipe revelou as 163 medidas listadas pelo Grupo de Trabalho El Niño estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com a participação de aproximadamente 50 profissionais de Embrapa e especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Além de reduzir os impactos do El Niño 2026/2027, algumas das recomendações podem ser incorporadas ao planejamento da fazenda para melhorar a preparação para outros eventos e condições meteorológicas recorrentes.
Confira as principais recomendações para cada região:
Centro-Oeste
Cenário projetado
Espera-se que o El Niño de 2026/2027 produza cenários diferentes no Centro-Oeste. Mato Grosso, Goias e o Distrito Federal estão sob maior risco de seca, enquanto Mato Grosso do Sul — especialmente a parte sul do estado — tende a receber mais chuva.
Na maior parte da região, a previsão indica chuvas atrasadas e irregulares na primavera, seguidas por precipitação abaixo da média, períodos secos e ondas de calor no verão. O período mais crítico da seca está projetado para ser entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O atraso nas primeiras chuvas pode colocar em risco as condições necessárias para plantar culturas de verão, enquanto períodos de seca podem afetar as culturas durante períodos de pico de demanda hídrica.
Em Mato Grosso e Goiás, os riscos incluem plantio atrasado, escassez de água e impactos nas culturas cultivadas em sucessão após a soja, como milho e algodão de segunda cultura. No Distrito Federal, as diretrizes gerais devem ser combinadas com aquelas específicas para culturas cultivadas na região. Mato Grosso do Sul apresenta uma situação diferente: a parte sul do estado tende a receber precipitações acima da média na primavera, mas isso não exclui a possibilidade de períodos secos durante a temporada de colheita.
Principais recomendações
- Soja e milho: siga as janelas de semeadura recomendadas por Zarc, use cultivares que tenham melhor desempenho em condições secas e quentes, escalone o plantio e mantenha a cobertura do solo. Em caso de atraso significativo no ciclo da soja, considere substituir o milho da segunda safra por sorgo ou painço, pois eles envolvem custos e riscos menores.
- Algodão: evite semeadura tardia, seja a cultura principal ou fora da safra; priorize cultivares que amadurecem mais cedo conforme a janela de semeadura avança; e mantenham práticas que promovam a infiltração e armazenamento de água, bem como a conservação do solo.
- Arroz e feijão: siga as diretrizes do Zarc, utilize cultivares mais adequados e fortaleça as práticas de conservação do solo. No arroz, temperaturas acima de 35°C podem causar esterilidade nos espigões. Para feijões, o plantio atrasado pode reduzir a produtividade.
- Cana-de-açúcar: em Mato Grosso e Goiás, foco em medidas contra secas e chuvas atrasadas. No centro-sul de Mato Grosso do Sul, chuvas excessivas podem dificultar as operações e afetar a qualidade da matéria-prima.
- Pastagens e gado: ajustar as taxas de repovoamento conforme a capacidade de carga dos pastos, manter reservas de forragem e garantir o acesso à água e à sombra. No bioma do Pantanal, a recomendação é monitorar a precipitação, os níveis dos rios e as condições hidrológicas, além de adotar medidas de prevenção de incêndios.
- Silvicultura: fortaleça as medidas de prevenção de incêndios, monitore pontos quentes e condições climáticas, utilize materiais adequados para condições quentes e secas e deixe restos no solo.
A principal recomendação é não esperar que as condições adversas tomem providências. Além do Zarc, as medidas incluem esperar por condições adequadas de umidade antes da semeadura, manter o solo coberto, usar irrigação quando a água estiver disponível e monitorar continuamente as previsões meteorológicas para aumentar a eficiência dos insumos utilizados.
Segundo Rodrigo Garcia, pesquisador da Embrapa Região Oeste de Agricultura (MS) e líder da plataforma regional Centro-Oeste, mesmo com previsões de condições climáticas adversas, o setor agrícola está trabalhando para altos rendimentos porque está fazendo investimentos significativos em tecnologia. “Esse investimento, combinado com a adoção de práticas agrícolas mais voltadas para a conservação, aumenta a resiliência do sistema de produção, ajudando-o a superar potenciais desafios climáticos que estão se tornando cada vez mais frequentes”, afirma ele.
Nordeste
Cenário projetado
Na Região Semiárida do Brasil, o El Niño 2026/2027 pode aumentar as temperaturas e alterar os padrões de distribuição das chuvas, aumentando a demanda por água, reduzindo a umidade do solo e afetando principalmente culturas e pastagens de sequeiro. Os efeitos não são esperados para serem uniformes, já que o El Niño sozinho não determina se a região sofrerá chuva ou seca, e as condições no Oceano Atlântico Tropical podem mitigar ou agravar seus impactos.
No último período de quatro meses de 2026, as projeções indicam maior probabilidade de chuvas abaixo da média e altas temperaturas, com maior risco de escassez de água, ondas de calor e incêndios florestais. Como o ano agrícola no Brasil Semiárido está concentrado principalmente na primeira metade do ano, os impactos mais significativos na produção são esperados no início de 2027, durante um período crítico da estação chuvosa.
A região está entrando no atual evento El Niño sob condições hidrológicas diferentes das observadas durante o intenso episódio de 2015–2016. Em agosto daquele ano, os reservatórios no Nordeste estavam com cerca de 23% de sua capacidade. Em 2026, esse número está próximo de 51%.
As condições iniciais são mais favoráveis, mas chuvas irregulares ou insuficientes podem comprometer a recarga, especialmente em reservatórios pequenos.
Principais recomendações
- Água: construa proativamente reservas de água e amplie a coleta, armazenamento e uso eficiente da água. As opções incluem cisternas, reservatórios de trincheira, barragens subterrâneas, captação de água da chuva e sistemas de reutilização de água, como o Bioágua Familiar.
- Culturas: siga as orientações e janelas de plantio de Zarc, considere espécies e cultivares adaptados às condições locais e faça atividades escalonadas. Em áreas onde o milho tem maior risco, o sorgo (na foto abaixo) pode ser uma alternativa.
- Solo: manter a cobertura vegetal ou cobertura morta, minimizar o cultivo, usar matéria orgânica e adotar práticas que aumentem a infiltração e retenção de água e reduzam as perdas devido à evaporação e ao escoamento superficial.
- Pecuária: planeje com antecedência para alimentar os rebanhos, estabeleça e mantenha reservas de forragem, mantenha os povoamentos de cactos cochonilhas e ajuste as taxas de repovoamento conforme a capacidade de carga da propriedade.
- Planejamento: manter reservas estratégicas de água, sementes, ração para animais e suprimentos, e monitorar sistematicamente as condições climáticas, a umidade do solo e a disponibilidade de água.
Tomar decisões antecipadamente é a principal estratégia para reduzir os riscos na Região Semiárida. Ajustar a produção à disponibilidade de recursos e à capacidade de carga da terra, conservar o solo, usar a água de forma eficiente, construir reservas, diversificar a produção e monitorar o clima pode reduzir a vulnerabilidade dos sistemas agrícolas.
Norte
Cenário projetado
Espera-se que o El Niño 2026/2027 cause chuvas reduzidas e mais erráticas na Região Norte, com atraso no início da estação chuvosa, períodos mais longos de escassez de água, altas temperaturas e níveis mais baixos dos rios. Os efeitos já estão em andamento e podem se intensificar entre o final de 2026 e o início de 2027, com impactos na produção agrícola, navegação, transporte e fornecimento.
Espera-se que os impactos variem dentro da região. Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima tendem a sofrer as maiores escassez de água e os maiores impactos em seus rios. Roraima enfrenta a situação mais severa: o déficit de chuva coincidiu com o período de enchimento de grãos, e prevê-se previsão de perdas de 30% a 50% para a colheita de 2026. No Pará, Amapá e nas áreas de transição de Maranhão e Mato Grosso, as principais preocupações são as chuvas atrasadas, a prolongada estação seca, o estabelecimento de plantações e o risco de incêndios.
A queda nos níveis dos rios adiciona um elemento único à situação no Norte. Na Amazônia, por exemplo, baixos níveis de água podem afetar a navegação, o transporte de suprimentos e alimentos, o abastecimento de água, a agricultura em planícies inundáveis e a pesca e aquicultura.
Nas áreas costeiras e estuarinas de Pará e Amapá, ainda existe risco de intrusão de água salgada nos canais de captação de água doce.
Principais recomendações
- Mandioca, milho e feijão-caupi: siga as orientações de Zarc, use cultivares adaptados e tolerantes ao estresse hídrico, e mantenha o solo coberto. Para milho e feijão-caupi, evite que a floração coincida com períodos de clima seco e ajuste a densidade das plantas de acordo com a disponibilidade de água.
- Arroz em planícies de inundação e terras baixas: adapte o plantio e o transplante ao ciclo de fluxo e refluxo, mantenha a profundidade mínima necessária da água, evite drenagem excessiva e prepare o solo com antecedência durante a fase de recuo.
- Açaí e cacau: Para açaí cultivado em terra seca, priorize a irrigação localizada e reduza a perda de água; Em áreas de planície de inundação, monitore a queda dos níveis de água. Para o cacau, mantenha sombra e cobertura do solo, e evite podas severas durante o pico da estação seca.
- Bananas, pimenta-do-reino e outras culturas frutíferas: utilize irrigação localizada durante estágios críticos, mantenha a cobertura do solo e tome medidas para reduzir os efeitos do calor e da perda de água. Para a pimenta-do-reino, a recomendação inclui o uso de estacas vivas e a prevenção do estresse radicular.
- Pastagens e gado: ajustar as taxas de repovoamento conforme a capacidade de carga dos pastos, construir reservas de forragem, aumentar a alimentação suplementar e garantir acesso a água limpa e sombra. A redução da umidade pode acelerar o declínio da qualidade do pasto e aumentar o estresse térmico nos animais.
- Água e irrigação: proteja nascentes e riachos, amplie ou restaure instalações de armazenamento, priorize a irrigação localizada e mantenha cobertura morta no solo para reduzir a evaporação.
A disponibilidade de água deve orientar a maioria das decisões na região. Além de seguir as diretrizes do Zarc, as medidas incluem: seleção de cultivares adaptados e de maturação precoce; conservando a umidade do solo; armazenar água; ajuste da irrigação; e proteger plantações e animais do calor.
Sudeste
Cenário projetado
O El Niño 2026/2027, que pode atingir uma intensidade muito forte entre a primavera e o verão, deve ter efeitos distintos no Sudeste. Entre outubro e dezembro de 2026, a previsão aponta para chuvas acima da média em São Paulo, Rio de Janeiro (especialmente na parte centro-sul do estado) e na parte centro-sul de Minas Gerais.
Em contraste, as partes norte de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro tendem a apresentar condições mais secas. Espera-se que as temperaturas estejam acima da média em toda a região, aumentando a evaporação e a perda de umidade do solo.
Em agosto, 84% do Sudeste estava enfrentando seca leve ou moderada, e a situação pode piorar se a estação chuvosa trouxer menos chuva do que o esperado.
São Paulo apresenta uma situação diferente, com risco mais amplo de altas temperaturas e chuvas escassas ou irregulares.
Os principais riscos para a agricultura são a escassez de água, ondas de calor e estresse térmico. Em áreas onde a precipitação é acima da média, as condições devem ser favoráveis para o semeio e estabelecimento de soja e milho de primeira cultura, formação de cerejas de café e germinação de cana-de-açúcar.
No cultivo de café, a atenção deve se intensificar no final de 2026 e início de 2027, quando as plantações estarão em estágios como floração e recheio de grãos. Em São Paulo, soja, milho, feijão, amendoim, café e laranjas são algumas das culturas mais expostas à combinação de calor e chuvas irregulares. A segunda safra de milho de 2027, por outro lado, provavelmente ficará fora do período mais crítico do fenômeno.
No Espírito Santo, o maior risco está concentrado nas plantações de café de Conilon, localizadas no Noroeste e na Costa Norte do estado, onde as previsões indicam que a escassez de água vai piorar. Também há risco de incêndios florestais e pressão sobre o abastecimento de água. Em Minas Gerais e São Paulo, o calor também pode causar estresse térmico na criação de gado leiteiro. Para o Rio de Janeiro, onde há dados menos específicos, a recomendação é intensificar o monitoramento das condições locais.
Principais recomendações
- Café: foque em monitorar as fases de floração e preenchimento dos grãos, manter a umidade do solo e adotar práticas de manejo que aumentem a capacidade de suportar a escassez de água e altas temperaturas.
- Soja e milho: siga as janelas de plantio recomendadas por Zarc e utilize tecnologias e práticas de manejo projetadas para promover a tolerância ao estresse hídrico. Para o milho, o Sistema Soja-Milho Antecipe pode adiantar o plantio em até 20 dias e reduzir os riscos relacionados ao clima no final do verão.
- Feijão: siga o cronograma de plantio e fortaleça a gestão da água, especialmente em São Paulo, onde a cultura é sensível a períodos de seca em qualquer etapa de seu ciclo de vida.
- Cana-de-açúcar: foco nos esforços nas regiões Norte e Noroeste do estado do Rio de Janeiro e na região do Cerrado de Minas Gerais, adotando tecnologias para manejo da irrigação e aumentando a tolerância ao estresse hídrico.
- Pecuária leiteira: garantir que os animais tenham acesso à água e sombra, ajustar as taxas de repovoamento e aumentar a disponibilidade de forragem. O calor pode causar estresse térmico, especialmente nas regiões leiteiras de Minas Gerais e São Paulo.
- Solo e sistemas integrados: manter o solo coberto, restaurar áreas degradadas, conservar água e adotar sistemas integrados de culturas-pecuária e culturas-gado-florestas como medidas para aumentar a resiliência dos sistemas de produção.
No Sudeste, a gestão deve focar principalmente nos riscos associados à escassez de água e às altas temperaturas. As medidas incluem monitoramento do Zarc, acompanhamento de previsões meteorológicas, conservação da umidade do solo, melhoria da infraestrutura hídrica, uso de tecnologias adaptadas ao estresse hídrico e térmico, e reforço das reservas de forragem para o gado.
Segundo Ederson Jesus, pesquisador da Embrapa Agrobiology (RJ) e coordenador da plataforma regional do Sudeste, “Dada a heterogeneidade climática da região durante o próximo El Niño, a recomendação principal é fortalecer a base biológica dos sistemas de produção: cobertura do solo, áreas degradadas restauradas e bioinsumos que ajudem as plantas a lidar com a escassez de água e o calor. É um investimento que compensa, não importa o clima”, ele enfatiza.
Sul
Cenário projetado
Na Região Sul, espera-se que o El Niño 2026/2027 traga chuvas mais intensas e concentradas, especialmente entre setembro e dezembro. Chuvas excessivas podem causar encharcamento (na foto abaixo), erosão e perda de nutrientes, além de dificultar operações como semeadura, aplicação de insumos e colheita. O aumento da cobertura de nuvens também pode reduzir a radiação solar e prejudicar o desenvolvimento e o preenchimento dos grãos.
A combinação de alta umidade e períodos prolongados de umidade nas plantas promove a ocorrência de doenças. Tempestades e ventos fortes também podem causar danos a terras agrícolas, pomares, florestas e infraestrutura rural. Os impactos variam dependendo da cultura, região, estágio do ciclo da safra e práticas de manejo utilizadas.
Entre as culturas mais ameaçadas estão grãos de inverno, arroz irrigado, soja, milho, árvores frutíferas de clima temperado e hortaliças. Em pastagens, chuvas excessivas podem reduzir a qualidade da forragem, compactar o solo e contribuir para a perda de forragem. Na silvicultura, a maior preocupação são os danos causados por tempestades e ventos fortes.
Principais recomendações
- Trigo e outros grãos de inverno: utilize cultivares mais resistentes a doenças e acasalamento, plantio escalonado, melhore a cobertura do solo e o monitoramento de doenças, e planeje com antecedência a colheita, secagem e armazenamento do grão.
- Arroz irrigado: ajuste a estação de semeadura para maximizar a disponibilidade de luz solar durante a fase reprodutiva, utilize cultivares resistentes à amontoada, monitore a explosão do trigo e garanta drenagem rápida dos campos. Maior disponibilidade de água da chuva pode reduzir a necessidade de bombeamento de água.
- Soja e milho: protejam o solo, ajustem a taxa de semeadura, aumentem o monitoramento de doenças e garantam uma drenagem eficiente da superfície. No milho, aplicar fertilizante nitrogenado em múltiplas aplicações pode reduzir as perdas de nutrientes devido à lixiviação.
- Cultivo de frutas e hortaliças: mantenha a cobertura do solo, inspecione sistemas de drenagem, ajuste a fertilização e aumente o monitoramento de pragas e doenças. Para hortaliças, o cultivo protegido pode ser uma alternativa.
- Pastagem: fortaleça os esforços de conservação e a cobertura do solo, e adote medidas para reduzir os efeitos do encharcamento, compactação e erosão.
- Silvicultura: monitorar as condições climáticas e tomar medidas preventivas em resposta ao risco de tempestades e ventos fortes, que podem causar danos a árvores e infraestrutura.
No Sul, prevenção de riscos e gestão de riscos devem andar juntas. Além do Zarc e das previsões de monitoramento, as recomendações incluem plantio escalonado, manter o solo protegido, melhorar a drenagem e planejamento da colheita, secagem, armazenamento e logística. O planejamento também deve ir além dos limites da propriedade e levar em conta a micro-bacia hidrográfica, com medidas para controlar o escoamento de água e aumentar a capacidade de lidar com eventos extremos.
Para Ernestino Guarino, pesquisador da Agricultura Temperada de Embrapa (RS) e líder da Plataforma Regional Sul, o conceito-chave para a região é a cobertura do solo. Práticas de conservação que garantam a infiltração de água, como terraços e linhas de contorno, também devem ser adotadas tanto em períodos de excesso quanto de escassez de água, pois aumentam a segurança do agricultor.
O pesquisador também recomenda que o planejamento agrícola leve em conta as informações divulgadas por fontes oficiais, como Embrapa, Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e Inmet. “Pragas e doenças também são agravadas pelo aumento da umidade e exigem maior cuidado no manejo das culturas durante esse período”, afirma ele.
O Hotsite fornece informações sobre o El Niño
A Embrapa criou uma página na web resumindo os principais riscos associados ao El Niño, períodos críticos e recomendações para cada região do país. O conteúdo é destinado a agricultores e profissionais de extensão rural.
A página apresenta medidas de mitigação e manejo de riscos, diretrizes técnicas por tipo de cultura ou gado, e estratégias que se aplicam a diferentes sistemas de produção. Os temas abordados incluem o cronograma de semeadura, Zarc, manejo e cobertura do solo, ração animal e saúde de plantas e animais.
O site também fornece notas técnicas preparadas por pesquisadores da Embrapa, com informações detalhadas para cada região.
O site “El Niño no Brasil: Gestão de Riscos e Mitigação” pode ser acessado aqui.
Referência:

















