O beneficiamento da produção através do processamento agroindustrial é uma iniciativa importante oferecendo uma complementariedade fundamental para a agricultura e pecuária ao possibilitar a obtenção de produtos com melhor apresentação e durabilidade. A sua ação principal é transformar através de várias formas de processamento os diversos produtos advindos da agricultura, silvicultura, aquicultura e pecuária.
Os produtos processados têm como benefício prolongar sua disponibilidade aumentando o prazo de validade no mercado, montado de forma a agregar valor aos produtos, mantendo suas propriedades e características originais.
A atividade de beneficiamento agrega mais valor à produção primária dos agricultores, possibilita um melhor planejamento e organização da comercialização dos produtos e uma mais segura inserção no mercado consumidor com maiores oportunidades de ganhos financeiros.
Considerando as susceptibilidades dos mercados, a agricultura não pode limitar-se a produção de produtos “in natura” e frescos, pela fragilidade dos produtos que requerem grandes cuidados no seu manuseio, transporte e armazenamento.
O beneficiamento através da agroindústria se constitui numa alternativa que possibilita o aumento da vida útil dos produtos e aborda mercados que seria impossível de serem alcançados pelo produto “in natura”, de modo que forma uma parceria perfeita.
Diversos produtos poderão ser obtidos nas regiões áridas e semiáridas através do beneficiamento da produção das diversas culturas da agricultura e da pecuária:
- Leite: leite em pó, queijos, manteiga e outros derivados do leite de vaca e cabra;
- Milho: farinhas, fubás, amidos, canjicas, óleos, pipocas, rações para animais e outros derivados;
- Gergelim: óleo, doces e pasta;
- Algodão: separação da fibra para enfardamento, descaroçamento para plantio, ração animal ou para produção de óleo e demais produtos;
- Amendoim: paçoca, cocada, pé de moleque, pasta de amendoim, amendoim salgado e demais produtos;
- Mamona: óleo de mamona ou óleo de rícino;
- Caju: castanhas, doce em massa e em calda, cajuína, rapadura, tortas, compotas, polpa, biscoito, caju passa e demais produtos;
- Umbu: polpa para suco, geleia e os doces em calda e em corte e sorvetes;
- Sisal: estofados; pasta para indústria de celulose; produção de tequila; tapetes decorativos; remédios; biofertilizantes; ração animal; e sacarias. As fibras podem ser utilizadas também na indústria automobilística, substituindo a fibra de vidro.
- Frutas diversas: geleia, polpa de frutas, passas e frutas cristalizadas, sucos engarrafados, doces em calda e em massa, enlatados derivadas de diversas frutas: cajá, graviola, manga, goiaba, umbu, uva, banana, goiaba e outras frutas produzidas na região semiárida;
- Processamento de carnes de aves, caprinos, ovinos e bovinos;
- Curtumes para processamento de couros.
O beneficiamento agroindustrial dos produtos, têm desempenhado importante papel no desenvolvimento da agricultura com grande importância socioeconômica, ampliando o prazo de validade e as opções de comercialização, agregando mais valor aos produtos no mercado e na geração de empregos no campo, distribuindo melhor a renda e melhorando a qualidade de vida dos agricultores, diminuindo assim, a migração campo-cidade.
- Com o objetivo de subsidiar a tomada de uma decisão mais ponderada para a implementação das alternativas aqui apresentadas é recomendado consultar um técnico para a elaboração conjunta de um projeto executivo que observe com todas as opções e variáveis relevantes e que apresente sustentabilidade financeira e capacitação dos produtores. Outros aspectos deverão ser considerados e dominados pelos produtores:
- Quando da implantação de uma Unidade de Beneficiamento, definir um modelo de gestão profissional, orientado para garantir a sustentabilidade financeira do empreendimento, mas que seja comprometido com desenvolvimento econômico e social dos produtores;
- É importante ter-se um conhecimento do mercado para identificar a demanda dos produtos a serem ofertados;
Em caso de unidade de beneficiamento comunitário, seja através de Associação ou Cooperativa, que se tenha a participação e o controle dos produtores na gestão das Unidades de Beneficiamento, de forma que as decisões da administração da entidade seja de forma transparente e participativa e colocada à serviço dos produtores. Que seja estabelecido um mecanismo de conhecimento pelo produtor do cálculo do custo de produção, com o objetivo de remunerar justamente a produção.