deficiência de nutrientes

COMO IDENTIFICAR A DEFICIÊNCIA DE NUTRIENTES NAS PLANTAS CULTIVADAS

O sintoma de deficiência nutricional ocorre quando as plantas sofrem de uma insuficiência de nutrientes e expressam características anormais visíveis específicas de deficiências nutricionais.

O tipo e a quantidade de fertilizantes são recomendados com base em informações técnicas adicionais do sistema agrícola como análise química de nutrientes de amostras do solo: pH do solo; teor de matéria orgânica; estado da umidade do solo e análise foliar realizadas em laboratórios, além do histórico do uso de fertilizantes.

Antes de consultar um agrônomo ou técnico agrícola, a deficiência de nutrientes nas plantas pode ser reconhecida inicialmente através da observação visual realizada pelo agricultor. Se há falta ou excesso de nutrientes as plantas apresentarão sintomas visuais tais como manchas nas suas folhas, planta com pouco vigor ou murchas, presença de pragas e/ou doenças, clorose, nanismo, entre outros sintomas que levarão ao retardamento no desenvolvimento.

Os nutrientes mais importantes para as plantas.

As quantidades demandadas de cada nutriente são variáveis, mas todos eles são igualmente importantes. Portanto os elementos essenciais são assim classificados:

Macronutrientes

Os macronutrientes são os elementos básicos necessários em maior volume às plantas. São eles: Carbono, Oxigênio, Hidrogênio – retirados do ar e da água – e Nitrogênio, Fósforo, Potássio, Cálcio, Magnésio e Enxofre retirados do solo, sob condições naturais.

Micronutrientes

Os micronutrientes são requeridos em pequenas quantidades, de miligramas (um milésimo do grama) a microgramas (um milionésimo do grama). São micronutrientes o Boro, Cloro, Cobre, Ferro, Manganês, Molibdênio, Níquel e Zinco.

RESUMO DA DEFICIÊNCIA DE NUTRIENTES NOS VEGETAIS.

 Déficit de nitrogênio (N): faz com que as folhas, principalmente os adultos, fiquem amareladas quase inteiramente (clorose – quando as suas folhas verdes pálidas não produzem suficiente clorofila). As folhas cloróticas variam em cor de verde claro a amarelo.

Déficit de fósforo (P): produz uma pigmentação violeta nas folhas.

Déficit de potássio (K): causa a morte das bordas e pontas das folhas (necrose – folhas com aspecto queimadas).

Déficit de magnésio (Mg): a falta desse nutriente pode causar manchas amarelas na folha adulta e a morte de partes dela, mas deve-se notar que as nervuras da folha sempre serão verdes.

Déficit de cálcio (Ca): causa a morte ou o amarelecimento das folhas jovens, ou seja, aquelas que estão apenas começando a sair.

Déficit de enxofre (S): gera amarelecimento das folhas jovens e adultas.

Déficit de ferro (Fe): A deficiência de ferro faz com que as folhas e os ápices jovens fiquem amarelos.

Déficit de manganês (Mn): expressa os mesmos sintomas do magnésio, mas também pode estar presente em folhas jovens.

A necrose nas folhas pode indicar deficiência de cálcio, boro e cobre e deformações nas folhas podem indicar deficiência de molibdénio, zinco e/ou boro.

deficiência de nutrientes em plantas

SINTOMAS DE DEFICIÊNCIA DE NUTRIENTES NOS VEGETAIS.

Nitrogênio (N)

O N é um macronutriente essencial para as plantas, vital para o crescimento, desenvolvimento e funcionamento celular, pois é componente de proteínas, aminoácidos, enzimas, DNA, RNA e, crucialmente, da clorofila, o pigmento verde responsável pela fotossíntese, sendo a falta de N caracterizada por amarelecimento (clorose) das folhas mais velhas.

deficiência de nirogênio
Deficiência de nitrogênio em milho.

Amarelecimento (Clorose): Inicia nas folhas mais antigas (base da planta) e avança para as mais novas, de forma uniforme.

Redução do Crescimento: A planta inteira fica menor, com desenvolvimento lento ou paralisado.

Folhas Pequenas e Ralas: As folhas novas são menores e mais delicadas.

Necrose: Nas pontas das folhas mais velhas, surgem manchas de cor palha que evoluem para marrom e secam.

Estagnação: Em casos avançados, há pouca emissão de novas folhas e a planta pode secar.

Fósforo(P).

Em Resumo: O sintoma mais clássico é o arroxeamento/avermelhamento das folhas velhas, principalmente nas bordas e lados inferiores, junto com o nanismo, indicando que a planta não consegue usar o fósforo adequadamente, mesmo que ele esteja presente no solo.

deficiência de fósforo
Deficiência de fósforo.

Folhas podem se tornar coriáceas (semelhantes a couro) e enrolar-se para cima. Em casos avançados, surgem manchas de cor palha-clara que escurecem, podendo evoluir para necrose nas extremidades.

 

Potássio.

Localização: Afeta primeiro as folhas mais velhas (inferiores), pois o K é móvel na planta.

deficiência de potássio
Deficiência de potássio em milho.

Clorose: Amarelamento nas margens (bordas) das folhas, com coloração que varia de verde-oliva a amarelo brilhante/laranja.

Necrose: As bordas amareladas secam, tornando-se marrons ou palha-clara, podendo apresentar manchas ou “queima das bordas”.

Murchamento: Em casos avançados, as folhas podem murchar.

Redução do Crescimento: A planta fica menor, com caules mais finos e menor número de perfilhos (no caso de gramíneas).

Impacto na Produção: Atraso ou falta de floração, frutos pequenos, com má cor, sabor e menor capacidade de armazenamento.

Exemplos em culturas.

  • Cebola: Clorose e necrose das pontas das folhas mais velhas, formando bordas escuras, com diminuição do tamanho do bulbo.
  • Soja: Amarelamento entre as nervuras e necrose nas bordas das folhas do ponteiro em cultivares indeterminadas, com sintomas nas vagens.
  • Milho: Clorose e necrose nas bordas das folhas mais velhas, evoluindo para a nervura central, com grãos e espigas menores.

Cálcio (Ca)

Os sintomas de carência de cálcio ocorrem em folhas novas, que ficam esbranquiçadas e enrolam para baixo, formando um gancho. As folhas mais velhas podem ficar com aspecto enferrujado. Quando a deficiência fica mais aguda, nota-se um afinamento e amolecimento dos colmos.

deficiêcia de cálcio
Deficiência de cálcio.

As pontas das folhas são frequentemente secas ou quebradiças, murchando e eventualmente morrendo. As hastes são fracas e a germinação é pobre.

Manganésio (Mn)

Os sintomas aparecem nas folhas velhas na forma de pontuações, começando nas pontas e ao longo das margens. Surgem lesões necróticas vermelhas com aparência de ferrugem. A parte interna da casca do colmo apresenta coloração amarronzada.

deficiência de magnésio
Deficiência de magnésio.

Os cloroplastos (as organelas da planta onde ocorre a fotossíntese) são a parte celular mais sensível à deficiência de Mn. Como resultado, um sintoma comum de deficiência de Mn é a clorose internerval nas folhas jovens. Duas deficiências de Mn são conhecidas, uma na aveia e outra nas ervilhas. A listra branca no trigo e a mancha internerval marrom na cevada também são deficiências de Mn.

Enxofre (S)

Como o S é um constituinte essencial de certos aminoácidos e proteínas, sua deficiência resulta na inibição da síntese de proteínas e clorofila.

deficiência de enxofre
Trigo com deficiência de enxofre, tem folhas de cor verde pálido e está encurtada em comparação com a normal.

Os sintomas de deficiência podem ser difíceis de diagnosticar, pois seus efeitos se assemelham à deficiência de N e Mo, mas, em contrapartida, as deficiências de S ocorrem em folhas mais jovens, que ficam amareladas ou verdes claras (clorose). Nos estágios finais, toda a planta pode ficar verde pálida. Nenhuma mancha ou listra é formada. Além disso, as plantas deficientes em S tendem a ser fracas e pequenas, com hastes muitas vezes finas.

Boro (B)

As primeiras funções do B nas plantas estão relacionadas à formação da parede celular e do tecido reprodutivo. As plantas que sofrem desta deficiência de B apresentam folhas jovens cloróticas, com necrose do ponto principal de crescimento (broto terminal). Além da clorose, as folhas podem desenvolver lesões marrom-escuras de forma irregular que crescerão para necrosar toda a folha em casos graves. Manchas amarelo-esbranquiçadas também podem se formar na base das folhas.

deficiência de boro
Alfafa com deficiência de B (boro): clorose nas folhas superiores e folhas rosadas perto da base.

Devido a problemas no crescimento da parede celular, os caules e folhas das plantas com essa deficiência tornam-se quebradiços e distorcidos, e as pontas (ápice) das folhas tendem a engrossar e enrolar. As plantas afetadas crescerão lentamente e parecerão atrofiadas como resultado de entrenós encurtados (os segmentos do caule entre os pontos onde as folhas saem do caule).

Como o B tende a se acumular nos tecidos reprodutivos, os botões florais podem não se formar ou podem ser malformados. Em alfafa e canola, os sintomas de deficiência de B incluem roseta foliar (as folhas estão amontoadas em círculos), amarelecimento das folhas superiores e floração deficiente. Na beterraba ocorre a podridão do coração e da coroa. Além do nanismo, inclui o a mudança da cor das folhas para marrom ou preto. Nos estágios finais da deficiência de B, a coroa da beterraba começa a apodrecer e as doenças entram nela, afetando toda a planta, deixando pouco açúcar na parte saudável da beterraba.

Cobre (Cu)

O Cu é necessário para a produção de clorofila, respiração e síntese de proteínas. As plantas deficientes em Cu apresentam clorose nas folhas jovens, nanismo, atraso na maturação (afilhamento muito tardio em cereais de grão), acamamento e, em alguns casos, melanose (descoloração marrom). Nos cereais, a produção e o enchimento de grãos são pobres e, sob condições severas de deficiência, as espigas podem não se formar. Plantas deficientes em Cu tendem a adoecer, especialmente com ergot, um fungo que reduz a produtividade e a qualidade principalmente de cereais como cevada, trigo e centeio. O estabelecimento de sintomas causados ​​pela doença pode confundir a identificação de sintomas de deficiência de Cu.

deficiência de cobre
Deficiência de Cu (cobre) em trigo: severa afetação (esquerda); moderada (centro); sem afetar (direita). O trigo com essa deficiência mostra melanose com pouca produção e preenchimento de grãos.

Os trigos de inverno e primavera são as culturas mais sensíveis às deficiências de Cu. No campo, os sintomas de deficiência de Cu ocorrem em manchas irregulares, sendo a melanose o sintoma mais evidente, principalmente nas lavouras de trigo. Semelhante ao Zn, uma forragem deficiente em Cu causa uma redução na eficiência reprodutiva do gado.

Ferro (Fe)

O ferro (Fe) desempenha um papel muito importante na respiração das plantas e nas reações de fotossíntese.

deficiência de ferro
Clorose intervenal. (entre as nervuras da folha) Deficiência de ferro.

As deficiências de Fe reduzem a produção de clorofila e são caracterizadas por clorose internerval, com uma clara distinção entre nervuras e áreas cloróticas nas folhas jovens. À medida que a deficiência se desenvolve, a folha inteira fica amarelo-esbranquiçada e depois se torna necrótica. O crescimento lento também ocorre. Campos deficientes em Fe, quando vistos à distância, exibem áreas amarelas de formato irregular, especialmente onde a subsuperfície foi exposta à superfície.

Zinco (Zn)

Os sintomas aparecerão primeiro, nas folhas médias da planta. Nas folhas mais novas ocorre o encurtamento dos entrenós (folhas próximas), formando rosetas; clorose entre as nervuras.  As folhas deficientes em Zn apresentam clorose internerval, especialmente no meio entre a margem e a nervura central, produzindo um efeito listrado; algumas manchas também podem ocorrer.

deficiência de zinco
Deficiência de Zn (zinco) mostrando a clorose intervenal.

As áreas cloróticas podem ser verdes pálidas, amareladas ou até brancas. Deficiências graves de Zn farão com que as folhas fiquem brancas acinzentadas e caiam prematuramente ou morram. E como o Zn desempenha um papel importante no alongamento dos entrenós, as plantas deficientes apresentam desnutrição grave.

Níquel (Ni)

Necrose das pontas: O sintoma mais característico, parecendo uma “queima” ou pontas marrons/escuras nas folhas, resultado do acúmulo de ureia.

Folhas deformadas: Em leguminosas, as folhas podem ficar pequenas, enrugadas e com pontas arredondadas, uma condição conhecida como “orelha de rato”.

Clorose: Amarelamento das folhas, especialmente nas jovens, que pode progredir para necrose, sendo confundida com falta de ferro ou enxofre.

Crescimento atrofiado: A planta inteira pode ficar menor, com brotos fracos e entrenós curtos, ou com crescimento vertical reduzido.

Morte de gemas/ramos: Em plantas lenhosas, pode ocorrer morte de gemas apicais e dos brotos.

Manganês (Mn).

Clorose Internerval: O sintoma mais característico é o amarelecimento do tecido entre as nervuras, que permanecem verdes, criando um padrão de rede (reticulado) mais grosso que o de ferro, conforme Embrapa.

Localização: Aparecem primeiro nas folhas jovens ou em desenvolvimento, pois o manganês é pouco móvel na planta, dificultando sua redistribuição.

Casos Severos: O amarelecimento pode evoluir para folhas pálidas, com pontos brancos (areas cloróticas), necrose ou até dilaceração das margens e manchas brancas longas, como em arroz, Embrapa.

Outros Efeitos: Pode levar à redução do crescimento, menor estatura da planta e, em casos extremos, afetar a produção.

deficiência de manganês
Trigo deficiente em Mn (manganês), mostrando clorose intervenal.

Sintomas por estágio da deficiência:

Leve: As folhas novas podem apresentar cor verde-clara, sem sintomas específicos.

Moderada: Começam a surgir manchas amareladas (clorose) entre as nervuras das folhas mais novas. A região próxima às nervuras permanece verde, formando um reticulado grosso.

Grave: A clorose pode evoluir para áreas necróticas (marrons), principalmente nas pontas das folhas, que podem começar a se enrolar para baixo.

TOXIDADE NAS PLANTAS DEVIDO AO EXCESSO DE NUTRIENTES.

Além da deficiência nutricional nas plantas, o excesso de nutrientes pode levar as plantas a um nível de toxicidade que é tão prejudicial quanto a deficiência de nutrientes.

A toxicidade pode ser evitada aplicando uma adubação controlada e o consequente fornecimento adequado de nutrientes. Os principais sintomas do excesso de nutrientes são verificados nas folhas velhas e maduras através de pontes de necrose devido ao excesso de manganês e/ou boro ou mesmo necrose nas suas extremidades devido ao excesso de borro e/ou aplicação de sais.

CUIDADOS PARA EVITAR A DEFICIÊNCIA DE NUTRIENTES NAS PLANTAS.

Se for identificado a deficiência de nutrientes nas plantas, e para que se obtenha uma produção agrícola com maior produtividade é necessário a realização da coleta de amostras de solo para ser encaminhadas ao laboratório de análise de solos. A finalidade é determinar os níveis de nutrientes objetivando calcular a quantidade correta de calcário e fertilizantes a ser aplicado.

A análise das amostras de solo é um processo fácil e permite ao produtor rural monitorar várias características dos solos, garantindo assim maior eficácia no desenvolvimento das culturas.

Alguns nutrientes são considerados essenciais para que as plantas possam se desenvolver e concluir com sucesso seu ciclo de vida. Portanto, é importante se ter uma fertilização adequada, pois a falta de qualquer um desses elementos pode ter um impacto negativo no desenvolvimento das plantas e consequentemente na produtividade das lavouras. De outra parte, o excesso de nutrientes produz toxicidade nas plantas e uma perda econômica desnecessária.

Se você gostou deste artigo, ver também: COMO COLETAR AMOSTRAS DE SOLO PARA ANÁLISE DE FERTILIDADE e COMO INTERPRETAR A ANÁLISE DO SOLO. Compartilhe-o nas redes sociais. Obrigado!

Referências:

AgroSíntese

A Embrapa – Portal Embrapa

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